No primeiro acampamento, alguém tira o telefone, olha a bateria e pergunta se há uma tomada na barraca. Não há. Tampouco no segundo nem no terceiro. A próxima tomada fica em Aguas Calientes, quando a trilha já terminou.
Durante os quatro dias da Trilha Inca Clássica, não há eletricidade para os passageiros. Tudo o que você usar depende da carga que levou de Cusco.
Por que não há tomadas na rota
Os acampamentos (Wayllabamba ou Ayapata, Pacaymayo ou Chaquicocha, e Wiñay Wayna) ficam dentro de uma área protegida. Não há rede elétrica. Tudo o que chega, chega a pé.
Algumas operadoras usam rádio ou equipamento via satélite para emergências. Isso não é um serviço de recarga nem de wi-fi para o grupo. O gerador da cozinha, se houver, também não é destinado ao seu telefone.
Na Trilha Inca Curta de 2 dias, a noite é em hotel em Aguas Calientes. Lá, sim, há tomada. No dia da caminhada, não.
Sinal e bateria
Quase não há cobertura durante o percurso. Em alguns pontos altos, aparece uma barra fraca de sinal. Perto de Wiñay Wayna, às vezes ele volta por um tempo. Não é algo com que se possa contar.
Um telefone sem sinal gasta bateria apenas procurando rede. Por isso, é melhor deixá-lo no modo avião desde que você sai de Cusco. Ele continua servindo como câmera, despertador e mapa offline.
O guia mantém comunicação de emergência com a base. Você não precisa deixar o celular ligado para que a equipe saiba onde o grupo está.
Qual powerbank levar
Para a clássica de 4 dias, se o celular for sua câmera principal, um de 10.000 mAh é suficiente se você fotografar com bom senso e não assistir a vídeos à noite. Um de 20.000 mAh dá mais margem se você gravar vídeos ou se alguém do grupo ficar sem carga.
Um de 5.000 mAh é pouco. Um muito grande acrescenta peso e pode causar problemas no avião.
Carregue-o a 100 % na noite anterior, no hotel em Cusco. Verifique se o cabo é o do seu telefone. Se for USB-C, leve esse.
O powerbank vai na mochila de ataque, dentro de um saco zip. Não na duffle bag. A duffle viaja com os carregadores, pode se molhar e você não a terá à mão ao meio-dia.
Como fazer o celular durar
Trate-o como equipamento, não como entretenimento.
Modo avião desde o primeiro dia. Brilho baixo. Feche o WhatsApp e as redes sociais: eles procuram rede mesmo quando não há. Não o use como lanterna; para isso existe a lanterna frontal. Veja as fotos à noite, não em cada parada.
Se quiser música, baixe-a em Cusco e ouça offline. Ou deixe para lá. A trilha não precisa disso.
Reserve carga para Machu Picchu. Chegar a Inti Punku com o telefone em 4 % é uma história contada vezes demais. Ter 30 % para essa manhã costuma ser o mínimo razoável.
Câmeras, GoPro e baterias extras
Se levar uma câmera separada, não conte em recarregá-la na rota. Leve baterias extras, já carregadas.
Para uma compacta ou mirrorless, duas ou três baterias cobrem os quatro dias. Para DSLR, três, especialmente se você fotografar no frio ou com a tela ligada. Para GoPro, duas ou três e a carcaça.
Drone, não. Em Machu Picchu e no santuário, é proibido.
O frio do segundo acampamento, o mais alto, reduz a autonomia. Uma bateria que em Cusco dura o dia todo, em Pacaymayo pode cair pela metade. As baterias extras ficam melhor em um bolso interno do que no fundo da mochila.
Leve um cartão de memória extra. Ficar sem espaço no dia de Wiñay Wayna não tem solução no caminho.
Lanterna e o restante
A lanterna frontal não é um extra. No último dia, a saída é à noite rumo a Inti Punku. Se ela carregar por USB, deixe-a a 100 % em Cusco e use-a pouco nas primeiras noites. Se usar pilhas AA ou AAA, um jogo extra basta.
O relógio GPS aguenta vários dias se você não mantiver a tela sempre ativa. Não é necessário carregá-lo todas as noites.
Kindle, tablet ou caixa de som: melhor deixá-los no hotel em Cusco. Pesam e consomem uma carga que você vai querer para fotos.
O carregador solar
Na estação seca, há sol nos passos altos. Também há floresta nublada, chuva inesperada e horas de caminhada com a mochila na sombra. Um painel preso à mochila rende pouco e se enrosca.
Se você já levar um powerbank de 20.000 mAh carregado em Cusco, o painel quase não compensa o peso. Ele faz mais sentido em trilhas mais longas.
Chuva e frio
A floresta nublada molha sem aviso. Deixar o celular no bolso externo da jaqueta não basta.
Coloque telefone, powerbank e baterias em um saco zip ou dry bag pequena. À noite, deixe o powerbank e as baterias da câmera perto do corpo ou dentro do saco de dormir: o frio as desliga mesmo quando ainda indicam carga.
Não deixe o telefone sobre a mesa da barraca de refeições. Há condensação e riscos de impactos.
Se fotografar com garoa, cubra a lente. Ela embaça ao passar do frio da manhã para a umidade do vale.
O powerbank no avião
Ele vai na bagagem de mão, nunca na mala despachada. A regra habitual das companhias aéreas é não ultrapassar 100 Wh, o que na prática corresponde a cerca de 27.000 mAh. Um de 10.000 ou de 20.000 mAh entra sem problema se estiver etiquetado.
Se levar dois, os dois devem ir na cabine. No controle, podem pedir para vê-los. Deixe-os à mão.
Carregue-os no hotel na noite antes da trilha, não no aeroporto de última hora.
Onde você volta a carregar
Em Aguas Calientes, depois de descer de Machu Picchu. Hotel, hostel e vários restaurantes têm tomadas. No Peru, a corrente é 220 V. Se os seus carregadores tiverem outro tipo de plugue, leve um adaptador.
Se no dia seguinte você sair cedo de trem, carregue assim que deixar a mochila. Não deixe para a noite.
Em Cusco, na noite anterior, o ritual é o inverso: telefone, powerbank, lanterna frontal e baterias da câmera a 100 %. Essa é a última tomada confiável até o povoado.
Perguntas frequentes
É possível carregar o celular na Trilha Inca?
Não na clássica de 4 dias. Não há tomadas para passageiros nos acampamentos. É preciso levar powerbank. Na curta de 2 dias, você carrega no hotel em Aguas Calientes, não durante a caminhada.
Há wi-fi para enviar fotos?
Não de forma estável. Há algum sinal intermitente perto de Wiñay Wayna e cobertura normal em Aguas Calientes. As fotos são enviadas no final.
Qual capacidade de powerbank é necessária?
10.000 mAh se você usar o celular no modo avião e fotografar pouco. 20.000 mAh se gravar vídeos ou quiser mais margem. Carregado em Cusco e levado na mochila de ataque.
É possível carregar a câmera no acampamento?
Não. Leve baterias extras já carregadas. O frio do segundo dia as descarrega mais rápido.
A agência fornece carregador?
Não conte com isso. A equipe de apoio não é um serviço de recarga.
O que acontece se a bateria acabar no dia de Machu Picchu?
Avise o guia. Alguém do grupo geralmente tem um pouco de carga no powerbank. Mas não é um plano. Reserve bateria para Inti Punku e a visita.
Posso deixar o powerbank na duffle bag?
Não. Se ele se molhar ou chegar tarde ao acampamento, você ficará sem carga no meio do dia. Ele vai na mochila de ataque, em uma bolsa impermeável.