O cozinheiro compra e transporta a comida em Cusco. Na rota não há mercado. Se o grupo sair sem saber que você não consome laticínios ou que o glúten faz mal a você, improvisar com o que já está nas mochilas dos carregadores não resolve muita coisa.
Por isso, a dieta não é discutida no primeiro acampamento. Ela deve ser informada na reserva.
Na Trilha Inca Clássica de 4 dias, as refeições do trekking estão incluídas: do almoço do dia 1 até o café da manhã do dia 4. Não estão incluídos o café da manhã da manhã da saída em Cusco nem o almoço em Aguas Calientes. A trilha curta de 2 dias tem menos refeições de acampamento e uma noite de hotel; o aviso continua sendo igualmente importante.
Avise no momento da reserva, não no dia anterior
A cozinha trabalha com uma lista fechada. O cozinheiro monta o cardápio, pesa o que precisa ser carregado e não pode repor ingredientes depois do Km 82.
Escreva isso na reserva, não apenas em uma conversa por chat. É recomendável informar:
- se você é vegetariano ou vegano (não é a mesma coisa)
- se evita glúten, lactose, frutas secas, frutos do mar, ovo ou soja
- se é preferência, intolerância ou alergia
- o que acontece se você consumir esse alimento (mal-estar, inchaço, anafilaxia)
- se você leva medicação de emergência
Uma semana antes do trekking, confirme que a informação chegou à cozinha. Na reunião em Cusco, diga novamente ao guia. No controle do Km 82, um minuto com o cozinheiro evita o prato errado no primeiro almoço.
Chegar ao acampamento e avisar ali costuma ser tarde demais. A equipe fará o que puder com o que houver. Não será o cardápio que teria preparado se soubesse desde Cusco.
Vegetariana
É o pedido mais comum e o que quase todas as agências resolvem melhor. Quinoa, batata, favas, legumes, arroz, sopas e ovo fornecem as calorias para um dia longo.
Esclareça duas coisas, porque no Peru “vegetariano” às vezes é entendido de forma diferente:
- sem frango, sem carne bovina e sem peixe (a truta aparece bastante nos almoços)
- se você aceita ovo e queijo
Se não disser isso, pode aparecer queijo na sopa ou ovo no café da manhã, e você considerava que estavam excluídos. Ou o contrário: tiram o ovo e você fica com pouca proteína.
Não é preciso levar sua própria comida se você avisou com antecedência. Alguns snacks de reserva ajudam no primeiro dia, antes de ver como aquela equipe cozinha.
Vegana
Nesse caso, a margem é mais estreita. É preciso retirar laticínios, ovo, mel e caldos de carne. O cozinheiro pode fazer isso: quinoa, legumes, leguminosas, arroz, fruta, aveia sem leite, pão sem manteiga. Peça uma lista curta do que você não come. Apenas dizer “vegano” não basta se você também evita soja ou glúten.
Na altitude, o apetite diminui e faz mais frio. Um prato só de legumes não basta. Peça que o cardápio tenha proteína vegetal de verdade, e não apenas salada.
O lanche da tarde (chá, biscoitos, pipoca) quase sempre traz biscoitos com manteiga ou leite. Se você não informar, vão oferecê-los mesmo assim.
Sem glúten
Quinoa, batata, milho e arroz são a base andina e não contêm glúten. O problema não é o ingrediente. É a cozinha de acampamento: um único fogão, as mesmas panelas, a mesma concha, pão e macarrão para o restante do grupo.
Se você tem doença celíaca ou reage a pequenas quantidades, diga isso com essa palavra. “Como pouco pão” não é o mesmo que “não posso consumir glúten”. O cozinheiro precisa saber se pode usar a mesma panela ou se deve separar prato e utensílios.
O que mais costuma aparecer por engano:
- pão, panquecas e biscoitos do café da manhã e do lanche da tarde
- sopas com macarrão
- molho de soja no chaufa
- aveia que não é certificada
- snacks distribuídos pelo guia no meio da manhã
Leve seus próprios biscoitos ou barras sem glúten para os trechos entre as refeições. Não há onde comprá-los na rota. Em Aguas Calientes há mais opções, mas isso é no último dia.
Ninguém pode garantir uma cozinha industrial livre de traços a 3.000 metros. Uma agência séria separa o prato e evita o trigo evidente. Se o seu limite de tolerância for muito baixo, converse com a agência antes de pagar e decida se essa margem é adequada para você.
Sem lactose
Leite no café da manhã, queijo nas saladas, manteiga no pão, cremes nas sopas, chocolate quente e sobremesas. Tudo isso aparece sem que alguém apresente como “laticínio”.
Se for intolerância, geralmente basta avisar e pedir leite vegetal ou chá puro, sopas sem creme e pratos sem queijo. Se for alergia à proteína do leite, o cuidado deve ser o de uma alergia, e não apenas o de “sem um copo de leite”.
O iogurte do café da manhã e a pipoca com manteiga são os dois esquecimentos mais frequentes.
Alergias
Uma alergia não é uma dieta. Na trilha não há hospital. O posto mais próximo fica a horas de caminhada.
Além de informá-la na reserva:
- descreva o alimento exato (amendoim, nozes, frutos do mar, ovo, soja)
- diga se basta não consumi-lo ou se também é preciso evitar que seja preparado ao lado
- leve a medicação que você usa, incluindo adrenalina se ela foi prescrita
- avise uma pessoa do grupo, não apenas o guia
Frutas secas e amendoim aparecem nos snacks e em algumas sobremesas. Peixe e frutos do mar aparecem nos almoços. Se a sua reação for grave, não presuma que “o cozinheiro já sabe”. Confirme pessoalmente antes de preparar o primeiro prato.
O que você pode esperar (e o que não pode)
Com aviso antecipado, o cardápio é adaptado sem custo extra pela maioria dos operadores. Você come nos mesmos horários do grupo: café da manhã cedo, snack, almoço, chá da tarde e jantar.
Não espere um restaurante vegano de Lima nem um certificado para celíacos. Espere um cozinheiro de montanha que preparou a sua parte em Cusco e serve um prato separado para você.
A água para beber é fervida ou tratada no acampamento. Isso não muda com a dieta. Já os snacks da trilha, sim: se eles não puderem fazer parte da sua lista, leve os seus na mochila de ataque.
O almoço em Aguas Calientes não é preparado pela equipe do trekking. Se você é celíaco ou vegano, escolha o restaurante com o guia ou veja o cardápio antes de sentar. No povoado há mais opções do que em Wiñay Wayna, mas nem todas são seguras.
Como escrever para que a cozinha entenda
Um parágrafo claro vale mais do que um “tenho dieta especial”.
Algo assim funciona:
“Vegetariana, sem peixe. Aceito ovo e queijo. Intolerância à lactose: sem leite nem cremes. Sem frutas secas. Não é alergia grave.”
Ou:
“Doença celíaca. Sem trigo, cevada, centeio nem aveia sem certificação. Preciso de prato e utensílios separados. Levo meus próprios snacks para a trilha. Alergia a amendoim.”
Em inglês também funciona se você reservar com um operador bilíngue. O que não funciona é deixar isso para a van das 4 da manhã.
Perguntas frequentes
Há comida vegetariana na Trilha Inca?
Sim, se você pedir no momento da reserva. Quinoa, batata, legumes, arroz e ovo cobrem o dia. Esclareça se aceita ovo, queijo e peixe.
Posso fazer a Trilha Inca sendo vegano?
Sim, com aviso prévio e uma lista do que você não come. O cardápio é montado em Cusco. Na rota não é possível conseguir leite vegetal ou tofu de última hora.
É possível pedir um cardápio sem glúten?
É possível adaptar: quinoa, batata, milho, arroz, carne ou legumes. A cozinha é de acampamento, não uma instalação certificada. Se você tem doença celíaca, diga isso com essa palavra e leve seus próprios snacks.
Quando é preciso avisar sobre a dieta?
Na reserva. Confirme uma semana antes e novamente com o guia em Cusco. No primeiro acampamento já é tarde para mudar o que foi carregado.
As dietas especiais têm custo extra?
Em operadores sérios, não. Faz parte do serviço se for informado com antecedência.
O que acontece se eu não avisar?
O cozinheiro trabalha com o cardápio do grupo. Ele pode tirar a carne do seu prato. Não pode inventar um cardápio vegano ou sem glúten com o que já saiu de Cusco.